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A QUEM SERVE A INFORMAÇÃO ESCANCARADA SOBRE VIOLÊNCIA?

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Antes de mais nada, como profissional da comunicação, sou e sempre fui a favor da liberdade de imprensa e do direito à informação.

Também como representante da população, sou favorável a transparência dos atos e condutas de tudo que diz respeito ao interesse público.

Mas o motivo desse questionamento é a reflexão sobre os caminhos que estamos trilhando pelas frequentes, e repetidas informações, nos noticiários, com imagens e vídeos, inclusive nas redes e mídias sociais, divulgando escancaradamente casos de violência (assaltos, roubos, assassinatos), seja contra mulheres, crianças, idosos, ou contra grupos, principalmente pelo requinte de detalhes e de crueldade.

Quando um fato desses acontece, é evidente que ninguém se alegra com ele, mas, como se diz nos dias de hoje, ‘viraliza’ em todos os canais de comunicação, tomando conta de nossa atenção, de nossos sentimentos, sendo que a maioria é tomada pela indignação e revolta, e a cada dia me parece que o grau de violência é maior, mais irracional.

Depois de ouvirmos da mensagem do Papa Francisco para fazermos um propósito de não violência ativa para o ano de 2017, fomos surpreendidos, já nas festividades de entrada do novo ano, com uma chacina nesta cidade de Campinas, outra no presídio de Manaus, duas mortes num quiosque de praia no Guarujá, a violência perpetrada contra o Senhor “Índio” no metrô de São Paulo, só pra citar alguns exemplos. E tudo isso foi passado e repassado inúmeras vezes nas reportagens dos jornais, nas mídias e redes sociais.

Então eu lhes pergunto: a quem serve essa a ‘viralização’ da violência? Isso realmente pode modificar  a atitude das pessoas para um sentido de não violência? Me parece que não. Ao contrário, a sensação de impunidade, de abandono, de falta de segurança é recorrente a cada vez que esses fatos tomam conta de nosso cotidiano.

Mas não é só isso. Não raro, esses fatos acabam servindo de inspiração, negativa evidentemente, para que novos casos ocorram usando o mesmo procedimento, por pessoas que, sabe-se lá por qual motivo, se identificam com os protagonistas dos noticiários anteriores, tal como ocorreu, também recentemente, com um cidadão da cidade de Jaboticabal, que ameaçou repetir o ato de chacina acontecido em Campinas, como também noticiado pela internet.

É preciso enxergar através do papel, da imagem, dos comentários das redes sociais e extrair de tudo isso, qual contribuição cada um de nós tem dado para a não-violência ativa, sejam os próprios responsáveis pela divulgação desses fatos, imagens e vídeos, sejam ainda, aqueles que as replicam em suas redes. Tudo tem que estar escancarado? Em todos os detalhes?

A era da informação veio para nos trazer muitos benefícios e saberes que talvez jamais nossos antepassados tenham imaginado, mas devemos ter inteligência, inclusive emocional, para utilizá-la como instrumento de construção de uma sociedade melhor. E como diziam os antigos: “Prudência e caldo de galinha, não faz mal a ninguém”.

Campos Filho

Jornalista e Vereador em Campinas

 

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